A melhoria dos cuidados com a saúde nos países pobres salvou a vida de milhões de crianças nos últimos anos, informou ontem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). "No seu impacto humano, alguns resultados... são tão espetaculares quanto as calamidades, as guerras e a fome", disse o UNICEF no relatório anual "Progresso das Nações", que classifica os países de acordo com seu desempenho para melhorar a saúde, nutrição e educação infantil. O diretor-executivo do UNICEF, James Grant, declarou que, em muitos países pobres os aspectos chave da assistência básica à saúde tinham superado o desempenho de países ricos como os EUA. Ele disse, por exemplo, que a África estava à frente da Europa na adição de iodo ao sal, para impedir o retardamento mental. Em lugares como Lagos (Nigéria) e Bombaim (Índia), crianças têm melhor registro de vacinação com a idade de um ano do que as crianças norte-americanas de até cinco anos. Numa avaliação otimista, o UNICEF listou as seguintes realizações nos países em desenvolvimento: -- as mortes anuais de crianças por sarampo foram reduzidas de três milhões para um milhão, devido à melhoria da nutrição e cobertura de vacinas; -- um milhão de mortes anuais de crianças abaixo de cinco anos foram evitadas pelo uso mais amplo de técnicas para prevenir a desidratação causada pela diarréia; -- Cerca de 3,5 milhões de crianças que, de outra forma, teriam sido aleijadas pela pólio, hoje vivem normalmente devido à imunização em massa. Informando que tem havido quedas de fertilidade em quase todas as regiões com a expansão do uso de anticoncepcionais, o relatório também documentou algumas das mais persistentes violações dos direitos das crianças, salientando o crescimento da indústria do turismo sexual e o aumento do número de crianças prostitutas, calculado em mais de um milhão só na Ásia (JB).