Um perfil do mercado de trabalho do Rio de Janeiro (capital) traçado a partir de dados obtidos em fontes oficiais, como o IBGE, demonstrou que os homens brancos têm as melhores profissões e os maiores salários, enquanto as mulheres e os negros estão em posição inferior na pirâmede social, como constatou a socióloga Neuma Aguiar, diretora de pesquisa do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj). Ela escreveu um livro sobre o assunto, "Rio de Janeiro Plural - um guia para políticas sociais por gênero e raça", no qual explica porque a profissão de costureira, por exemplo, é exercida predominantemente por mulheres com mais de 50 anos. Em seu trabalho, Neuma verificou que os homens brancos dominam as profissões liberais: entre os engenheiros, por exemplo, as mulheres constituem somente 6%, e os negros, 8%. Na profissão de advogado, as mulheres são 33% e os negros, somente 14%. E entre os professores de nível superior, a grande predominância é de brancos (93%). A socióloga observa que a atividade de professor primário é quase totalmente feminina. Entre os feirantes, doceiros, vendedores de jornal e quitandeiros, predominam os homens. O trabalho de Neuma demonstra que as mulheres vêm ganhando terreno no campo de trabalho: o crescimento da atividade econômica tem sido maior para mulheres do que para homens. Segundo a pesquisa, os negros estão na parte inferior da pirâmede social e as ocupações das mulheres são delimitadas. Neuma constatou que os salários variam de acordo com a posição social do empregado no seu domicílio e não pelo seu desempenho na empresa. De acordo com a socióloga, o homem é remunerado como um potencial chefe de família e a mulher como provedora de uma renda complementar. Além da divisão sexual do trabalho, a socióloga notou que os negros estão concentrados nas categorias de posição social inferior e poucos conseguem sair dessa condição. Já as mulheres estão aglomeradas em poucas ocupações, que ela chama de feminizadas, como as de costureira, enfermeiras sem diploma, manicures, caixas de supermercados e professoras (O Globo).