CRESCE A MORTALIDADE INFANTIL NO NORDESTE

No interior de Alagoas, entre mil crianças que nasceram nos três primeiros meses deste ano, 174 morreram antes de um ano. Este índice é pior que o de Angola (170 por mil) e Moçambique (167 por mil), duas das nações mais pobres do mundo e vítimas de guerras civis. A informação foi prestada ontem pelo Ministério da Saúde com base num levantamento realizado numa amostragem de 268 municípios do interior do Nordeste. Comparou-se o primeiro trimestre de 1993 com os três primeiros meses deste ano. A pesquisa feita em 94 analisou um conjunto de municípios diferente do pesquisado em 93. Mesmo assim, o Ministério da Saúde considera a amostra significativa. A média brasileira de 1992 era de 54 por mil. No Nordeste, sobe para 77 a cada mil nascidos. Os números foram requisitados pelo presidente Itamar Franco, depois da revelação da Pastoral da Criança da Igreja Católica de que a mortalidade infantil estava crescendo. "Estamos estupefatos e em pânico", afirmou o ministro Henrique Santillo. O Rio Grande do Norte apresentou o maior crescimento: pulou de 85 mortes por mil crianças nascidas para 148. O segundo maior crescimento foi na Paraíba, com 56%. Depois, Ceará, que, ao passar de 75 para 116 por mil, evoluiu 54%. Bom resultado foi apresentado apenas no Piauí, onde se verificou decréscimo de 2% (FSP).