MOVIMENTO DOS SEM-TERRA RACHA EM GETULINA

Oito meses depois de promoverem a maior ocupação de propriedade rural de que se tem notícia no país, uma parte dos sem-terra da Fazenda Jangada, em Getulina (SP), separou o acampamento montado às margens de uma estrada vicinal. Eles se dizem decepcionados com os métodos adotados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O grupo, composto por 350 das 1.009 famílias que ainda participam do movimento-- no início eram 2.500 famílias--, não tomou parte da última ocupação daquela propriedade e anunciou que está adotando formas próprias de negociação com o INCRA e o governo do estado, na expectativa de ser incluído nos próximos assentamentos rurais, independentemente do local onde ele ocorra. Na mesma estrada que liga o distrito de Macucos, em Getulina, a Queiróz, os dois acampamentos estão separados por uma distância de mil metros. Ambos mantém hasteada a bandeira do MST, mas a visão sobre aquela organização não é a mesma dos dois grupos. Enquanto no acampamento no. 1, que concentra o maior número de barracos de lona as diretrizes do MST são seguidas à risca, no no. 2, a liderança admite estar "decepcionada" com as orientações. Sebastião Donato da Silva, um dos líderes, lembra que a pregação democrática do MST não vinha sendo cumprida no acampamento. As decisões eram tomadas apenas pelos líderes e os acampados tinham que segui-las. A decisão de separar os acampamentos, segundo ele, foi adotada depois que muitas informações transmitidas pelo MST sobre a desapropriação da Fazenda Jangada, foram desmentidas pelos fatos (O ESP).