GATT: ARGENTINA DIZ APOIAR MINISTRO BRASILEIRO

Uma nota oficial do chanceler argentino, Guido Di Tella, a seu colega brasileiro, Celso Amorim, enviada no último dia 18, encerrou o incidente diplomático entre os dois países ocorrido na semana passada, quando o presidente da Argentina, Carlos Menem, pediu e obteve em Cartagena das Indias, na Colômbia, o apoio dos países ibero-americanos à candidatura do presidente do México, Carlos Salinas de Gortari, à direção-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), que substituirá o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). O Brasil estava ausente da reunião. Na nota oficial, Di Tella diz a Amorim que lamenta o ocorrido e reitera o apoio da Argentina à candidatura do ministro da Fazanda, Rubens Ricúpero, ao cargo máximo da OMC. Em circular enviada no último dia 16 a todas as embaixadas e consulados brasileiros, o Itamaraty informou que a candidatura de Ricúpero está confirmada, apesar do endosso informal a Salinas, sugerido por Menem. Além da nota oficial e do pedido de desculpas de Di Tella, o governo argentino reiterou apoio a Ricúpero através de seu embaixador em Brasília (DF), Alieto Guadagni, ontem. Mesmo concorrendo com Salinas, as chances de Ricúpero são boas. Ele tem prestígio graças à habilidade que mostrou durante as difíceis negociações da Rodada Uruguai entre 1987 e 1991, quando ocupou quatro cargos diferentes no GATT. Também trabalha a seu favor a tradição brasileira no GATT. Enquanto o Brasil é país fundador, o México aderiu só em 1986 (GM) (JB).