Entre 100 milhões e 200 milhões de crianças de quatro a 15 anos trabalham no mundo em condições penosas e por salários irrisórios seja nas ruas, fábricas ou minas, desde o Brasil às Filipinas, segundo afirmou o secretário-geral da Confederação Internacional de Sindicatos Livres (CISL), Enzo Friso. A confederação lançou uma campanha para pedir mudanças nas legislações dos países afetados, recomendando a inserção de uma cláusula social nos acordos comerciais internacionais, leis que obriguem à escolarização primária e o boicote aos produtos dos países que permitem tal prática. Uma investigação desenvolvida pela CISL revelou que na América Latina a maioria das crianças que trabalham o fazem no "setor não organizado", nas ruas, enquanto na Ásia, principalmente nas Filipinas, trabalham a domicílio. Na Colômbia existem crianças trabalhando nas minas de carvão e no Peru nas de ouro, país onde também quebram pedra nas construções a exemplo do que ocorre em Bangladesh. No Paquistão, é menor de 14 anos cerca de 20% da mão-de-obra que atua na semiescuridão e poeira fazendo tapetes exportados para a Escandinávia, enquanto nas zonas mais perigosas do México meninos e meninas vendem guloseimas durante à noite. No Peru e no Brasil, trabalham como criados às vezes sem cobrar enquanto nas Filipinas meninos de quatro anos costuram sutiãs que uma multinacional alemã vende na Europa. A confederação sindical denunciou também que muitas empresas dos EUA e multinacionais, que proíbem o trabalho de crianças em suas fábricas, utilizam redes de distribuição que as empregam para vender durante a noite seus cigarros, doces ou bebidas nas ruas das cidades. Segundo a CISL, por exemplo em Bangladesh, 40% da mão-de-obra no setor têxtil são crianças, a maioria meninas, que saem de suas casas às cinco da manhã e voltam às 10 da noite após trabalhar em condições espantosas em locais onde os acidentes são frequ"entes (GM).