Combater a ineficiência e o desperdício nos serviços de intra-estrutura do mundo em desenvolvimento é tão importante quanto aumentar os investimentos. Esta é uma das conclusões do relatório sobre o desenvolvimento no mundo, divulgado hoje pelo Banco Mundial (BIRD). Os países em desenvolvimento investem US$220 bilhões por ano em infra- estrutura (energia, telecomunicações, água, esgoto, lixo, rodovias, transporte público urbano, ferrovias, portos, aeroportos, transporte fluvial e irrigação). Isso significa um quinto do investimento total feito por esses países. O resultado é que nos últimos 15 anos o número de domicílios com energia elétrica e telefones dobrou e o de serviços por água aumentou em 50%. O aumento populacional e a rápida urbanização registrados nas nações em desenvolvimento ainda fazem com que a demanda por infra-estrutura aumente. Os investimentos na área feitos no passado não tiveram o efeito esperado em termos de desenvolvimento, segundo o BIRD. O Banco recomenda que os serviços de infra-estrutura sejam geridos como se fossem da iniciativa privada, não como uma burocracia, mesmo quando não for possível afastar o governo. O BIRD recomenda parcerias entre governo e empresas privadas, cabendo ao Estado a missão de definir políticas e estabelecer os regulamentos básicos para garantir os direitos dos mais pobres. Não é necessariamente por falta de recursos que cerca de dois bilhões de habitantes da banda pobre do mundo continua sem acesso a eletricidade e esgostos, um bilhão não têm água tratada e os demais vivem à mercê de estradas esburacadas e telefones que não dão linha, analisa o BIRD. Segundo o documento, a decisão de autarquias brasileiras de contratar a manutenção de rodovias a empresas privadas nos últimos anos diminuiu o custo desse serviço em cerca de 25%. Do Chile à Índia, passando pelo Botswana, inovações como essas apontam um novo caminho para os investimentos público, afirma o BIRD (FSP) (O ESP).