CULTURA É "ARMA" PARA MOTIVAÇÃO NAS EMPRESAS

Todos os dias, às 7h30, as equipes de marketing, vendas e telemarketing da Caraigá Veículos, concessionária Volkswagem e Audi de São Paulo, abrem o expediente cantando canções sacras, de Elvis Presley, Beatles ou Milton Nascimento. Depois de cerca de 20 minutos de cantoria, começa uma reunião para fixar as metas do dia e cobrar os resultados da jornada anterior. Esse é o ensaio rotineiro do Coral Caraigá, formado por 40 funcionários há três anos. Periodicamente, o grupo se apresenta em orfanatos e shopping centers. No ano passado, gravou um disco com músicas de Natal. Nos últimos anos, as empresas descobriram que campanhas internas de motivação de seus funcionários não são suficientes para criar um clima favorável e aumentar a produtividade. Uma das vias para alcançar essa meta foi encontrada no estímulo, apoio e até patrocínio a atividades culturais dos funcionários. Na prática, elas possibilitam maior contato entre chefias e subordinados, entre profissionais de diversas áreas e níveis hierárquicos, entre pessoas de diferentes formações e experiências. Boa parte das empresas afinadas com atividades culturais preferem apostar no patrocínio de grandes espetáculos para platéias seletas-- clientes, fornecedores e os que podem pagar os ingressos. "A opção por espetáculos fechados depende da estratégia de marketing da empresa", explica José Carlos Durand, do Centro de Estudos da Cultura e do Consumo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "Mas se a empresa busca a adesão dos funcionários a seus projetos, melhor alternativa é estimular grupos internos de artistas amadores", diz. Combinar alfabetização ao incentivo a atividades culturais foi a fórmula adotada por empresas preocupadas em adequar seus funcionários às novas tecnologias. Na Método Engenharia, por exemplo, 200 funcionários foram alfabetizados desde 1987 por meio do projeto Educar para o Amanhã. Atualmente cerca de 40 alunos assistem as aulas nos canteiros de obra. A`s sextas-feiras, o bê-a-bá é substituído por atividades como pintura, escultura em argila e desenho, inspirados por temas da cultura nordestina. Há ainda outras alternativas. A IBM do Brasil, por exemplo, investe anualmente US$120 mil em cachês de atores, músicos, cartunistas e escritores. Eles são convidados para apresentar seus trabalhos, na forma de shows ou palestras, e para debater com os funcionários da empresa depois do expediente. Outra iniciativa da IBM é o fomento à leitura. Desde o final do ano passado, foram organizadas três feiras de livros dentro da empresa, com exemplares dos mais diferentes temas vendidos a preços menores (Caderno Empregos-FSP).