A primeira cartilha com conteúdo político feita por índios guaranis e dirigida à própria comunidade foi lançada ontem em São Paulo. Editada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a cartilha contém o relatório da última assembléia nacional dos guaranis, realizada no final do ano passado. "A cartilha pretende levar discussões sobre as terras indígenas a todas as aldeias", diz o editor da publicação, Benedito Prezia. Segundo ele, existem hoje 4.500 índios guaranis no Brasil, espalhados por 71 áreas. "Mais da metade das terras ocupadas por guaranis (52,3%) estão sem providência jurídica", afirma Prezia. Isso significa que os índios ocupam áreas não reconhecidas como indígenas. "Eles podem ser obrigados a sair de seus territórios a qualquer momento", explica. Na publicação, os índios aprendem como demarcar suas terras e que órgãos pressionar para conseguir direito de ocupação (O ESP).