GOVERNO LANÇA OBRA SEM VERBA ORÇAMENTÁRIA

Saiu do papel o maior e mais controvertido projeto de obras do governo Itamar Franco. O ministro Aluízio Alves, da Integração Regional, fez o edital e 28 empresas já estão na disputa do plano de engenharia básica de uma obra de US$2 bilhões com o objetivo de retirar água do Rio São Francisco para abastecer 220 cidades do Nordeste, habitualmente afetadas pela seca. Alves tem problemas com os cofres públicos: não há dinheiro. O Ministério da Fazenda confirma a inexistência de previsão para esse projeto no Orçamento deste ano, que está no Congresso Nacional. O ministro da Integração Regional aliado a Beni Veras, ministro do Planejamento, nomemou o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) como intermediário para conseguir empréstimos na Europa e no Japão. Contatos iniciais foram feitos pelo presidente do BNB, João Melo. A Fazenda, porém, recusa-se a autorizar aval do Tesouro Nacional ou do Banco do Brasil para tais operações de financiamento. Com o edital para o projeto básico de engenharia, Alves procura criar uma situação irreversível. O ministro prevê o início das obras em setembro, a um custo de cerca de US$600 milhões na primeira etapa. Seria a construção de um canal de 120 quilômetros, túneis e estações elevatórias para ligar o Rio São Francisco, na sua passagem pelo Município de Cabrobó, em Pernambuco, ao Rio Jaguaribe, no Ceará. O projeto é controvertido por ter custo muito alto, grande impacto ambiental e econômico no Vale do São Francisco. Está sob forte oposição dos governos e de diferentes facções políticas da Bahia e de Minas Gerais, que o relacionam a objetivos meramente eleitorais (O ESP).