No início da epidemia de AIDS, em 1982, havia no Brasil uma mulher contaminada para cada 124 homens portadores do HIV. Doze anos depois, para cada quatro homens contaminados uma mulher está infectada pelo vírus e 50% delas foram contaminadas através de relações heterossexuais. A informação foi divulgada ontem pela Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e pela Divisão de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, a partir de um trabalho de pesquisa em comunidades carentes de quatro favelas, nas quais foram entrevistadas 1,25 mil pessoas, com idades entre 13 e 19 anos. A pesquisa constatou ainda que a falta de informação, a assistência inadequada e a dificuldade de acesso aos meios de prevenção tornam as populações de baixa renda particularmente vulneráveis à infecção pelo HIV. O levantamento faz parte do programa regionalizado de controle de AIDS, organizado pelas secretarias estadual e municipal de Saúde, que começou em março deste ano, com o objetivo de conhecer, juntamente com a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), o nível de informação das comunidades pobres sobre a doença. O Estado do Rio de Janeiro tem 8,5 mil casos de AIDS registrados desde o início da epidemia (JC).