Pesquisa feita pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), sob encomenda da Unctad (órgão das Nações Unidas para o Comérdio e Desenvolvimento), indica um aumento médio de 10% nos custos de produção dos setores de papel e celulose, siderurgia e ferro-gusa, decorrente de investimentos em controle ambiental, voltados para o cumprimento de exigências de legislações nacional e internacional. O estudo analisa o impacto dessas inversões sobre as exportações do país e aponta uma série de vulnerabilidades da indústria brasileira que pode ter sua competitividade reduzida diante do novo desafio ambiental. O parque industrial brasileiro e, de uma forma geral, intensivo na
80557 utilização de recursos naturais e energia. Esses fatores estão
80557 intimamente ligados a aspectos ambientais. Além disso, as indústrias de
80557 base produzem em grandes escalas e essas plantas exigirão, também,
80557 grandes investimentos em meio ambiente, observa a pesquisadora da Funcex, Marta Reis Castilho. Ela destaca, contudo, que muitos dos segmentos industriais brasileiros que têm liderança no mercado internacional, embora sejam poluidores em potencial, são também os que mais realizam investimentos em meio ambiente. Os setores de papel e celulose, siderurgia, química e petroquímica, juntos, foram responsáveis, no ano passado, por 71% dos investimentos ambientais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O setor siderúrgico, em que se concentram os maiores passivos ambientais, respondeu, isoladamente, por 44,6% dos desembolsos do BNDES no programa de conservação de meio ambiente em 1993. O estudo revela que, apesar de todo o processo de ajuste, 30% da produção siderúrgica nacional ainda utiliza carvão vegetal. Destaca, também, que o setor siderúrgico, com participação de 17,5% na pauta de exportações brasileiras, vem fazendo esforços para implantação de base florestal própria (reflorestamento) e conversão de altos-fornos para carvão mineral. A mesma pesquisa mostra que o setor de papel e celulose, com participação de 4% nas exportações brasileiras, detém tecnologia florestal avançada. Mas enfrenta vulnerabilidades crescentes com a imposição européia, por
80557 exemplo, de maior utilização de papéis reciclados, diz Marta Castilho. A pesquisadora disse ainda que a pauta de exportações do país, por ser muito centrada em produtos de baixo valor agregado (produtos não diferenciados) fica mais sensível a perdas de competitividade decorrentes de aumento de custos, inclusive de custos ambientais (GM).