O plenário da Câmara dos Deputados cassou ontem, por 312 votos a favor, 59 contra e 15 abstenções, o mandato do deputado José Geraldo Ribeiro (PMDB-MG), um dos envolvidos no esquema de manipulação do Orçamento da União. Ele foi considerado culpado das acusações de enriquecimento ilícito, obtenção de vantagens indevidas por força do cargo, desvio de verbas de subvenções sociais e ligação com o chamado "esquema das empreiteiras". Ele é responsabilizado por um desvio de pelo menos US$513,4 mil do Orçamento. Já o deputado Flávio Derzi (PP-MS) foi inocentado pelo plenário da Câmara. Na votação, 239 deputados votaram contra a cassação, 139 a favor, sete parlamentares se abstiveram e três votaram em branco. Derzi era acusado pela CPI do Orçamento de ter usado influência política para conseguir, em 1991, um empréstimo de US$409 mil junto ao Banco do Brasil. Foi rolando a dívida nesses últimos anos e hoje está sendo acionado na Justiça para pagar um débito de US$1,065 bilhão ao BB. Também ontem, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o pedido de cassação do deputado Daniel Silva (PFL-MA), outro incriminado pela CPI do Orçamento. O placar foi de 30 votos pela cassação, 12 contra e cinco abstenções. Dos 18 acusados pela CPI, 13 já tiveram o destino decidido pelo plenário da Câmara-- seis foram condenados (Flávio Raunheitti, Feres Nader, Carlos Benevides, Ibsen Pinheiro, Raquel Cândido e José Geraldo Ribeiro), quatro renunciaram (Cid Carvalho, Genebaldo Correia, João Alves e Manoel Moreira) e três foram absolvidos (Ricardo Fiúza, Aníbal Teixeira e João de Deus Antunes). Único senador da lista, Ronaldo Aragão (PMDB-RO), teve o pedido de cassação aprovado por uma comissão processante e será julgado no próximo dia 21 pelo plenário do Senado Federal (O ESP) (O Globo).