APREENDIDO LIVRO SOBRE SÔNIA ANGEL

Duas oficiais de Justiça do Rio de Janeiro apreenderam ontem os exemplares do livro "O calvário de Sônia Angel - uma história de terror nos porões da ditadura", nas dependência da Editora Gráfica MEC. O juiz Gilberto Fernandes, da 8a. Vara Cível, expediu o mandado, requerido pelo brigadeiro João Paulo Moreira Burnier. O brigadeiro é acusado no livro de ter sido torturador e de ter tentado explodir o gasômetro do Rio. Sônia Angel foi morta em 1973, aos 27 anos, pelos órgãos da repressão da ditadura militar. Está comprovado, como relata o livro, que Burnier foi um dos torturadores
80536 mais ferozes. Ele ordenou o assassinato do meu genro Stuart Angel, obrigado
80536 a aspirar gases do cano de descarga de um carro na Base Aérea do Galeão,
80536 em maio de 1971. A ação judicial de Burnier me traz uma satisfação: seus
80536 bárbaros crimes serão objeto de manifestação da Justiça, pois até hoje
80536 tais carrascos se encontram impunes, afirmou o professor João Luiz de Moraes, pai de Sônia Angel e autor do livro. O professor está empenhado na preparação dos originais da segunda edição do livro. "Amplio o livro com novos dados para retratar ainda mais fielmente aquela trágica época. A Justiça reverá essa apreensão. É um livro muito importante, destinado em especial às jovens gerações", afirmou. O objetivo do brigadeiro Burnier é o silêncio, para que sejam esquecidos
80536 seus crimes. Mas ele não leva em conta um pequeno detalhe: não estamos
80536 mais no regime ditatorial, em que imperava a paz dos cemitérios; vivemos
80536 um regime democrático, disse Flora Abreu, diretora do grupo Tortura Nunca Mais. Segundo ela, com a apreensão do livro "haverá oportunidade de se enquadrar judicialmente fatos tão escabrosos. Até hoje, com todas as provas apresentadas pelas entidades democráticas da sociedade brasileira, os criminosos permanecem impunes. E já é mais do que hora do reconhecimento pela Justiça dos crimes contra a Humanidade cometidos pelos torturadores" (JC) (JB).