PRESO ACUSA PM DO ACRE DE TORTURÁ-LO

A juíza de Xapuri (AC), Maria Tapajós, decretou a prisão do paulista Edson da Silva Souza, de 19 anos, acusado de treinar um suposto grupo paramilitar na região. Edson foi detido pela Polícia Militar em Xapuri, no último dia nove. O promotor de Xapuri, Erick Cavalcanti Linhares, também pediu a prisão de Edson por crime contra a segurança nacional. Existem fortes indícios de que ele estivesse em Xapuri treinando grupo
80523 paramilitares para promover invasões de terras, disse o promotor. Ele se baseia em informações do Serviço Reservado da PM. Segundo a polícia, Edson estava de posse de quatro armas-- um rifle 44, uma pistola argentina calibre 22, uma pistola alemã 32, e um revólver calibre 32, e mais sete cartuchos, já detonados, calibre 38. O mandado da juíza foi expedido com base em crime de contrabando de armas. Transferido para a sede da Polícia Federal, em Rio Branco, Edson negou as acusações. "Essa história de grupo paramilitar é tudo invenção da direita", disse. Edson, que mora há seis meses no Acre, disse que as armas apreendidas pela PM em sua residência não eram só dele. "Só a pistola argentina era minha", segundo ele, as outras armas pertencem a outras pessoas ligadas ao sindicato de trabalhadores de Xapuri. Edson acusa os policiais militares de o terem espancado dentro do carro. Para me baterem, os policiais colocaram uma venda no meu rosto, contou. O advogado dele, Manuel Messias França, pediu a realização de exame de corpo de delito em seu cliente. "Se comprovada as torturas, vamos entrar com representação contra a Polícia Militar", afirmou o advogado. De acordo com Edson, a sessão de torturas teria se iniciado ainda em Xapuri, na metade da viagem até Rio Branco, após sua transferência para outro carro da PM. Edson disse que foi espancado na altura do tórax e que ficou com vários ematomas. O assessor do Conselho Nacional dos Seringueiros, Julio Barbosa de Aquino, disse que a entidade também vai responsabilizar a PM pela prática de torturas contra Edson. Aquino também reafirmou que não há qualquer fundamento nas denúncias de que Edson estaria treinando grupos armados em Xapuri. Segundo ele, toda essa celeuma teria sido criada por fazendeiros para desmoralizar o movimento sindical (O ESP).