DOSSIÊ AFIRMA QUE SEM-TERRA PREPARA REVOLUÇÃO

A Polícia Militar de São Paulo entregou à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) documento em que afirma que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) recebe verbas do exterior para financiar ocupações e organiza uma república marxista-leninista. O mesmo procedimento foi adotado pelas PMs de outros estados. Com base nesses documentos, a SAE consolida uma série de documentos sobre os sem-terra. O documento da PM paulista menciona informações sobre suposta ajuda econômica que o MST estaria recebendo do exterior. Diz o dossiê que "o MST tem ajuda financeira estrangeira de organizações governamentais e não-governamentais, principalmente da Holanda e Alemanha". Além da verba, sustenta o documento, "o MST arrecada de cada família assentada 1% de sua produção anual e 5% do valor total de qualquer projeto de ajuda financeira a fundo perdido, ou empréstimo de qualquer origem, nacional ou do exterior". Diz o documento que os partidos políticos que servem de base para as ações do MST são o PT e o PC do B. O dossiê diz que o MST estaria tentando construir no país uma "autêntica" república marxista. Afirma o documento: "O MST procura passar para a sociedade a impressão de que se trata de uma organização voltada para a luta pela terra, entretanto sua doutrina contém todos os ingredientes de um partido político". O Padre Ticão, da União Nacional do Movimento dos Sem-Terra e Moradia, disse que "o movimento dos sem-terra é um dos mais pobres do Brasil". Segundo ele, o movimento "é feito pelas pessoas pobres". Sobre o documento da PM, disse que ele é "um delírio". "Nosso movimento é feito de bóias- frias, feito pelos mais pobres do país, pelos explorados dos explorados". Padre Ticão diz que é "muito pequena" a ajuda do exterior (FSP).