AS REMARCAÇÕES DE PREÇOS

A 19 dias da entrada em vigor do real, donos de supermercados e grandes indústrias detonam uma onda de remarcações de preços. Com o objetivo de recuperar margens de lucro do passado e se preparando para viver sem o lucro fácil das aplicações financeiras, as empresas do varejo e os oligopólios aumentam preços, eliminam descontos e infernizam a vida do consumidor com aumentos de até 60% em uma semana. Alguns produtos, como carne, creme dental e óleo de soja entram na linha dos chamados "produtos desalinhados", que poderão ter aumentos nos próximos dias. Apesar disso, empresários e consultores garante que não é hora de fazer estoques porque os preços podem ceder depois do real. A avaliação dos varejistas é de que os preços estão Inchados" e têm condições de recuar, dependendo da pressão do consumidor. A "gordura" nos preços aparece porque algumas poucas empresas controlam o mercado e têm condições de manter margens de lucro elevadas, que alcançam até 52%, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com grandes fatias de mercado, estas empresas estão desde a semana passada na mira do governo, que passa a contar agora com a Lei Antitruste para coibir abusos de poder econômico. Em Aracaju (SE), o ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, desautorizou ontem o assessor especial José Milton Dallari, que no último dia 10 saiu em defesa dos supermercados, negando a existência de aumentos abusivos. Quem fala sobre o pensamento da equipe econômica sou eu, disse o ministro (JB).