EXPURGO BENEFICIARÁ UNIÃO EM US$13 BILHÕES

O Tesouro Nacional vai se beneficiar de uma redução de despesas com os encargos da dívida pública (rendimento dos títulos federais) e dos papéis aceitos na privatização estimada em US$3 bilhões, por causa do expurgo do resíduo da inflação de junho, que será suprimido do cálculo da correção monetária. Além disto, o mesmo expurgo vai permitir ao governo suprimir despesas do Orçamento da União deste ano da ordem de US$10 bilhões, segundo cálculos de técnicos ligados à Secretaria de Orçamento. Tanto no caso das dotações orçamentárias, quanto no caso dos papéis da dívida pública ou da privatização, os valores são corrigidos por índices de inflação-- IGP-DI e IGP-M, respectivamente. O resultado destes índices, estimado em torno de 30% em julho, não será contabilizado pelo governo na correção monetária da dívida nem dos valores orçados. Em julho, o governo vai considerar apenas a apuração da inflação em real, que não acusará o resíduo de 30%, por causa de uma mudança na metodologia de cálculo do índice. Isso significa que quem tem em mãos títulos públicos com correção monetária-- em grande parte as instituições financeiras-- vai deixar de ganhar os 30%. No caso dos papéis da privatização, cuja aquisição é financiada pelo BNDES, o banco será o maior prejudicado. Como ele tem crédito a receber em torno de US$4 bilhões nestes papéis, também corrigidos monetariamente, vai arcar com um prejuízo contábil de US$1,2 bilhão (O Globo).