EVANGÉLICOS QUEREM DUPLICAR A BANCADA

A bancada evangélica no Congresso Nacional pretende pular de 25 para 50 integrantes nas eleições deste ano. Só a Igreja Universal do Reino de Deus espera eleger 12 deputados. Com cerca de 25 milhões de fiéis, segundo avaliação dos parlamentares da bancada, as igrejas evangélicas teriam potencial para eleger até mais deputados e senadores. Mas nem todas seguem a hierarquia centralizada da Igreja Universal. Comandada pelo bispo Edir Macedo, esse grupo religioso escolhe os seus candidatos através de uma fórmula que lembra o "centralismo democrático" empregado pelas organizações políticas da esquerda ortodoxa. O Conselho Bispal, composto por oito ou 10 bispos, faz uma reunião nacional e escolhe os candidatos de cada estado. Os fiéis (cerca de um milhão) são orientados a votar apenas nestes candidatos. Esta fórmula centralizadora é seguida em parte pelas demais igrejas pentecostais, como a Assembléia de Deus, a Igreja de Deus e a Casa da Bênção. A diferença é que nestes grupos religiosos as decisões são tomadas em cada estado ou cidade. As igrejas protestantes históricas, como a Batista, a Presbiteriana, a Metodista e a Luterana, não fazem opção preferencial por candidatos. Mas seus pastores que optam pela carreira política acabam tendo apoio dos fiéis. Tanto os históricos como os pentecostais têm em comum o menosprezo pelos partidos e o interesse por temas ligados à família, como aborto, divórcio, homossexualismo e prostituição. Os evangélicos seguem a máxima de que "cristão vota em cristão", independente do partido ao qual o crente for vinculado. Do grupo atual de 21 deputados evangélicos, 15 já trocaram de partido após a eleição. No Senado, a bancada tem quatro membros. A estrutura das igrejas pode ser utilizada para ajudar na eleição de candidatos evangélicos. A Igreja Universal dispõe de uma rede de televisão (Record) e emissoras de rádio em diversos estados. No período eleitoral, os pastores de muitos desses grupos se transformam em cabos eleitorais. Jornais de circulação entre os fiéis também são utilizados para divulgar as candidaturas (FSP).