O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu ontem mais recursos dos países ricos para o combate ao tráfico de drogas. O pedido foi feito em entrevista após o discurso de encerramento da 24a. Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Belém (PA). Amorim lembrou que os recursos para a luta contra o tráfico no Brasil são muito limitados, e que, por isso, a cooperação financeira dos países onde a droga é consumida é muito importante. No discurso de encerramento, o ministro fez um balanço dos avanços conseguidos em Belém. A principal inovação foi a criação de um grupo de trabalho para elaborar metas de combate à corrupção, tema nunca antes debatido na OEA. Foram aprovadas duas convenções, uma contra a violência sobre a mulher e outra contra o desaparecimento de pessoas, principalmente por motivos políticos. A OEA adotou também severas sanções contra o governo militar comandado pelo general Raúl Cedras, do Haiti, que tomou o poder há quase três anos. Os países-membros da organização esperam que os detentores do poder no Haiti cedam ao embargo econômico e aceitem o regresso ao poder do presidente eleito Jean-Bertrand Aristide. Em seu discurso de despedida do cargo de secretário-geral da OEA, o embaixador brasileiro João Clemente Baena Soares, destacou o reforço da Corte da OEA, que adotou o conceito de desenvolvimento integral, considerando não apenas o crescimento econômico, mas todas as dimensões da atividade humana. "Este conceito está relacionado com a geração de emprego, a educação e melhores condições de saúde", afirmou. Baena Soares será substituído pelo presidente da Colômbia, César Gaviria (O Globo) (JB).