PT QUER CRIAR OITO MILHÕES DE EMPREGOS

O PT promete criar pelo menos oito milhões de empregos durante um eventual governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para realizar esta meta, o programa petista quer ampliar o nível de investimentos na economia brasileira dos 16% atuais para 25%. Parte dos recursos aplicados terá origem na privatização de empresas estatais não estratégicas e no uso de fundos, como os de pensão e o FGTS, e na taxação de fortunas. O partido apresentou ontem, através de uma rede executiva de TV da EMBRATEL, o detalhamento de seu projeto contra o desemprego. O tema é uma das prioridades do programa de governo de Lula. O projeto depende de várias alterações na legislação vigente, inclusive na Constituição. Segundo o deputado federal Aloízio Mercadante (PT-SP), um dos coordenadores do programa econômico, a idéia é que a maior parte das verbas seja investida pela iniciativa privada. Para viabilizar esses investimentos privados, o projeto prevê a ampliação da oferta de crédito para investimentos, a redução das taxas de juros, o alongamento negociado dos contratos de crédito concedidos pelos bancos e o fim da "ciranda financeira". Os recursos para esses investimentos seriam obtidos através de uma reforma tributária, da criação de novos fundos e da reformulação dos fundos já existentes. Dois novos fundos seriam criados. O Fundo para a Reestruturação Produtiva teria uma administração e custeio tripartite-- governo, empresas e trabalhadores. Mas o partido não explica como os recursos seriam arrecadados. O Fundo Nacional de Solidariedade seria composto pela tributação de grandes fortunas, por recursos obtidos na privatização de estatais consideradas não-estratégicas e com uma parcela de recursos orçamentários. O governo também investiria em setores que poderiam criar muitos empregos, como saneamento básico, saúde, construção de estradas, educação e turismo. O partido acredita ainda que a reforma agrária e o aumento do salário-mínimo-- para US$115, "numa primeira fase"-- ajudariam a criar empregos. O PT propõe uma modernização do Ministério do Trabalho e a criação de um Banco de Empregos. Para a geração de empregos, o PT prevê ainda apoio à criação de cooperativas, de associações e "viveiros de empresas", além da redução da jornada de trabalho. O programa prevê ainda que nos quatro anos de governo, seriam criadas vagas para quatro milhões de crianças nas escolas de 1o. grau, reativadas nove mil leitos públicos apenas no eixo Rio-São Paulo e assentados 800 mil famílias no programa de reforma agrária, orçado em US$800 milhões por ano. Além disso, seria implantado o programa de renda mínima. Cada trabalhador ou desempregado teria uma renda mínima garantida pelo Estado, desde que matriculasse seus filhos em escolas (FSP) (O ESP) (JB).