O que o mundo está deixando de gastar em armamento desde o fim da Guerra Fria não está sendo investido em benefício das populações mais pobres, diz um informe da ONU divulgado esta semana em Washington (EUA). Segundo o Programa de Desenvolvimento da ONU (PNUD), desde 1987 as grandes potências reduziram seus gastos militaresem US$935 bilhões. Esse dinheiro foi utilizado para tapar buracos de orçamentos, subsidiar exportações de armas convencionais para países em desenvolvimento ou estimular a conversão da indústria bélica para atividades pacíficas, constata o PNUD. Enquanto isso, os gastos sociais permaneceram estáticos ou cresceram muito pouco nos países que mais se armavam. O estudo constata também que, enquanto é pequena a redução dos gastos militares nas grandes potências (3,5%), outros países considerados desenvolvidos, como o Japão, têm planos de incrementar a compra de armas. Situação mais crítica é a dos países em desenvolvimento. De 1960 a 1987, a participação do Terceiro Mundo nos gastos militares cresceu de 7% para 15%. Na década de 80, os países que mais aumentaram orçamentos militares e reduziram gastos sociais foram Iraque, Somáli e Nicarágua. O Sul da Ásia e a África SubSahariana, com 800 milhões de pobreza absoluta, gastam, respectivamente, US$19 bilhões e US$8 bilhões, por ano, na compra de armas. Os cinco maiores exportadores, que vendem 86% das armas convencionais para países em desenvolvimento, são, pela ordem, a ex-URSS, os EUA, a França, a China e a Grã-Bretanha, "todos membros do Conselho de Segurança da ONU", destaca o informe. O trabalho estima que, se entre 1995 e 2000, os gastos militares globais forem cortados em mais de 3%, haverá um "dividendo de paz" em torno de US$500 bilhões, que, desta vez, precisariam ser utilizados para estimular o "desenvolvimento humano" (JB).