REPRESSÃO AO TRABALHO ESCRAVO PERDE DELEGADO

Representantes de 27 entidades governamentais e não-governamentais, que formam uma comissão de fiscalização e combate ao trabalho escravo, no Mato Grosso do Sul, foram surpreendidos ontem com a exoneração do delegado regional do Trabalho, Orlando Leite. Durante um ano e 20 dias no cargo, Leite identificou, notificou e multou quatro destilarias de álcool, que exploram ilegalmente a mão-de-obra de três mil índios, e 18 carvoarias, que mantêm em condições subumanas mais de oito mil trabalhadores adultos, crianças e adolescentes. Segundo o delegado, durante sua gestão, foram mais de cinco mil multas em todo o estado, cujo valor total é mais de CR$1 bilhão. Esses números foram revelados durante a recepção que Orlando Leite promoveu em seu gabinete com líderes de organizações como a CUT, CPT, CIMI, Centro de Defesa dos Direitos Humanos, entre outras. O delegado afirmou que sua substituição foi um pedido pessoal do deputado Nélson Trad, líder do PTB na Câmara, ao ministro do Trabalho, Marcelo Pimentel. Uma decisão político-partidária, lamentável, disse o coordenador do CIMI, Maucir Paolleti. Fiscal do Trabalho desde 1984, o novo titular da DRT-MS, Sílvio Aparecido Acosta Escobar, assumiu o cargo ontem mesmo, e disse desconhecer qualquer interferência política na exoneração de Orlando. Afirmou que dará continuidade ao combate da exploração criminosa de trabalhadores no estado e que pretende modernizar a delegacia (JC).