A participação da América Latina no comércio mundial é a mais baixa deste século, embora exista a expectativa de um ligeiro crescimento com a implementação das novas regras estabelecidas pela Rodada Uruguai do GATT. A retração comercial da América Latina decorre da análise da conjuntura econômica abordada pelos chanceleres e delegados dos 34 países-membros da OEA, reunidos em Belém (PA). Enquanto meio século atrás as transações da América Latina e Caribe representavam 12% do comércio mundial, atualmente caíram para 3,6%, com uma balança deficitária, afirmou o chanceler da Venezuela, Miguel Angel Burelli Rivas. Segundo ele, a abertura comercial e os sacrificados programas de ajuste dos sistemas econômicos não conseguiram como contrapartida a supressão das barreiras e obstáculos ao livre acesso aos mercados dos países industrializados. Já o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que os acordos do GATT e sua futura conversão na Organização Mundial de Comércio (OMC) possibilitarão uma maior estabilidade ao intercâmbio comercial e "o libertarão de focos protecionistas e de medidas unilaterais". A média regional das tarifas de importação se situou em 15%, enquanto há 15 anos atingia 50%. Apesar do movimento de abertura de seu mercado, a América Latina e o Caribe registram uma progressiva queda de suas exportações, até o ponto em que a balança comercial começou a se tornar deficitária, nos últimos anos. As exportações cresceram entre 1985 e 1992 US$34 bilhões e as importações US$74 bilhões. Perdeu-se o tradicional suporte latino-americano no comércio mundial, e em 1992, enquanto as exportações somaram US$126 bilhões, as importações contabilizaram US$132 bilhões (GM).