ESTUDO APONTA CONCENTRAÇÃO DE TERRAS NO PAÍS

As grandes fazendas do país com mais de um mil hectares correspondem a menos de 1% do total de estabelecimentos rurais, e ocupam 43,73% do espaço agrário brasileiro. Paradoxalmente, as fazendas de 10 hectares representam 52,83% dos estabelecimentos, mas ocupam apenas 2,66% do território rural. Essa concentração de terras nas mãos de uma elite agrária provoca o inchamento das cidades, resultando, por exemplo, na presença de 21% de indigentes-- 32 milhões de pessoas-- em todo Brasil. A concentração de terras causa outro problema insolúvel: os conflitos entre os sem-terra e os fazendeiros. Somente em 1993, houve mais de 900 conflitos na região amazônica pela posse da terra. Os dados constam de uma pesquisa da geógrafa Dora Hess, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem. Segundo ela, os 32 milhões de indigentes resultaram da superconcentração de renda (10% dos pobres têm apenas 0,8% da renda e os 10% dos ricos abocanham 48%), 12 milhões de trabalhadores (20% da População Economicamente Ativa- - PEA) ganham apenas um salário-mínimo e houve deterioração do salário dos pobres e da classe média. Hess garante que "o Brasil vive há 15 anos em recessão porque os índices de emprego permanecem estáveis, o poder de consumo se reduziu e houve investimentos em empregos de alta qualificação" (O ESP).