CHANCELERES PEDEM PRESSÕES SOBRE O HAITI

Os 34 chanceleres dos países da Organização dos Estados Americanos (OEA) decidiram ontem recomendar a seus respectivos governos e à secretaria- geral da entidade que seja intensificado o bloqueio econômico e político ao Haiti até que o a democracia seja restabelecida neste país do Caribe, com a recondução do presidente deposto Jean-Bertrand Aristide. A reunião dos ministros de Relações Exteriores dos países da OEA ocupou os dois primeiros dias da 24a. assembléia geral que se reúne em Belém (PA). A chanceler do Haiti, Claudette Welergh, disse que o governo de Aristide, mesmo no exílio, desaprova qualquer intervenção militar em seu país. Deseja que a democracia seja restaurada por meios pacíficos. O Brasil defende uma solução pacífica para acabar com a ditadura militar do Haiti. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, propôs a intensificação do boicote econômico contra o Haiti, incluindo a proibição de vôos. "O Brasil não tolera o golpe militar que depôs o presidente Aristide, mas recomenda uma solução pacífica, em apoio à democracia e ao princípio de não-intervenção", afirmou Amorim. O chanceler brasileiro também reinterou a proposta de pôr fim à proibição de participação de Cuba na OEA. O ministro lembrou que Cuba caminha para uma transição democrática, e a suspensão de seu isolamento no continente é a melhor forma de apressar a chegada da democracia. Cremos perceber movimentos positivos no sentido da reforma, que certamente
80385 deverão ser aprofundadas e incentivados. O isolamento econômico e
80385 político não parece, contudo, a melhor maneira de contribuir para uma
80385 transição que já se esboça, disse Amorim (JB) (O Globo).