Buscar ferramentas de software no banco de dados do curso de informática na Universidade da Croácia, na Polônia, ou comprar um CD de um grupo de jazz de vanguarda, pesquisando os títulos de cadeia de lojas norte- americanas através de uma delas em Nova Iorque. Estes são alguns dos passatempos de um "micreiro" carioca, num fim de tarde, após a jornada de trabalho. Na pesquisa de CD, o adepto de micros e jazz acaba comprando um disco. Digita o número do cartão de crédito. São US$22 e a incumbência da entrega fica por conta do correio brasileiro. Tudo isso é realizado através do computador pessoal conectado a um modem e um telefone, que por sua vez conecta à Rede Nacional de Pesquisa (RNP), num centro de interligação no Rio de Janeiro (Laboratório Nacional de Computação Científica-- LNCC). Vai até Nova Iorque e chega à loja através de outra das inúmeras conexões, também chamadas de nós, dos EUA, onde interligam-se dezenas de redes internacionais. Neste caso é a rede de serviços Pipeline, uma das suportadas pela Internet. Pela Pipeline não só toma-se conhecimento ou compra-se os mais novos discos lançados como também, entre outros serviços, pode-se enviar flores para qualquer parte do mundo. Esse trajeto pelo mundo através de um micro foi feito por um pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com apoio de um Macintosh. Através do computador ele acessa as redes internacionais pela RNP, coordenada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), registra à comunidade acadêmica, mas que vem se abrindo a BBS. São as associações de clubes de usuários, batizadas nos EUA de Bulletim Board Systems, os quais qualquer um pode se tornar membro. "No Brasil pode haver trinta ou trezentos", diz Tadao Takahashi, coordenador da RNP. Ele está levantando os BBS de todo o país para definir novos cadastramentos dessas associações que estão cada vez mais interessadas em se conectar à rede brasileira para, principalmente, chegar à Internet. Temos que ter o cuidado, a partir deste primeiro momento em que estamos
80381 abrindo a RNP para o uso de BBS. No mês que vem estamos abrindo a rede
80381 para empresas. Como a definição é de que não seja feito qualquer uso
80381 comercial da rede, estamos levantando BBS por BBS para verificar os
80381 realmente corretos, que não desvirtuarão o princípio de a RNP não ser
80381 utilizada comercialmente. Trata-se de um serviço subsidiado pelo governo
80381 brasileiro e instituições internacionais, daí a importância de ser
80381 mantida a ética, diz Takahashi. Por enquanto, o BBS Express-Line atua como empresa voltada ao apoio e suporte de empresas, clínicas, usuários que querem trocar informações ou simplesmente ter acesso às grandes bases de dados que se intercomunicam com a Internet. O BBS Express-Line é um dos oito brasileiros que têm acesso à Internet através do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), organização não-governamental que controla a ligação dos clubes de usuários com a RNP. O IBASE está atento à orientação do MCT quanto à proibição de não usar a rede comercialmente. Na semana passada, o IBASE, diante da observação de que estaria havendo uso comercial, passou mensagem aos BBS informando que está fazendo uma cuidadosa garimpagem para identificar o uso indevido. Os BBS, por sua vez, alertaram seus usuários.