A Amazônia Legal (estados do Norte do país e o oeste do Maranhão) vive hoje um processo de apenas migrações internas. A grande leva de migração para a região se deu de 1970 a 1980. Hoje é reduzido o número de pessoas de outras regiões do país que seguem para lá. Este dado foi apresentado ontem em seminário sobre a Semana Nacional de Meio Ambiente pela geógrafa Antonia Maria Martins Ferreira, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Antonia é a coordenadora do projeto "Diagnóstico do Meio Ambiente da Amazônia Legal". Ela sintetizou alguns problemas ambientais graves na Amazônia Legal, que ocupa 60% do território nacional. Segundo a geógrafa, está havendo tendência de assoreamento (obstrução principalmente por excesso de areia) de rios da região. Ela citou o oeste do Maranhão como exemplo. A ocupação desordenada do solo e o desmatamento causaram o problema. Antonia disse que as queimadas, hoje, se dão basicamente em áreas já ocupadas e degradadas. Segundo ela, com a recessão econômica as áreas desmatadas não têm avançado na região. Cerca de 12% da Amazônia Florestal se encontram degradados e transformados em pasto, entre outras ocupações. A Amazônia Legal tem cerca de 18 milhões de habitantes, sendo 55% "em aglomerações ditas urbanas". Antonia disse que a degradação geral da região "vai do ecológico ao político". Para ela, o país precisa repensar a concepção de desenvolvimento da Amazônia, revalorizando o aspecto regional. Ela criticou os governos locais, que pensam suas políticas dentro de uma visão de "globalização excessiva", sem atender os interesses locais (FSP).