REPERCUTE DECISÃO CHILENA DE SE ASSOCIAR AO MERCOSUL

A revelação de que o Chile fará o pedido formal para ingressar no MERCOSUL teve forte repercussão ontem na capital chilena. Contra as críticas da oposição à iniciativa do governo do presidente Eduardo Frei de se aproximar do bloco comercial fronteiriço, o senador democrata- cristão Andrés Zaldivar, mostrou-se entusiasmado: "É uma situação onde todos ganham e, portanto, devemos levá-la adiante". Preocupado, no entanto, com as disparidades macroeconômicas dos quatro futuros sócios chilenos, Zaldivar comentou: "Não resta dúvidas de que haverá problemas, mas os benefícios serão muito maiores". Estamos muito interessados em começar um acordo já, disse o presidente da comissão de relações internacionais do Legislativo chileno, deputado Carlos Dupré Silva. Em sua opinião, apesar de a situação econômica dos países do MERCOSUL não ser "equilibrada", um acordo entre Chile e MERCOSUL é possível por meio de "conversações concretas sobre produtos" que interessam às duas partes. O ministro das Relações Exteriores do Chile, Carlos Figueroa, afirmou que o ingresso do seu país no MERCOSUL se dará segundo as normas da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) mas que não pleiteará ser sócio pleno do bloco: "Negociaremos nossa participação como país associado", declarou. O Chile, único país sul-americano sem participar ativamente de nenhum grande bloco econômico no continente, também negocia, paralelamente, integrar-se ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). A integração definitiva, apesar de já começar a ser considerada, ainda é uma possibilidade de longo prazo. "Os maiores obstáculos são os problemas econômicos nos países-membros do MERCOSUL e a questão dos impostos", explicou Figueroa. O Chile tem uma tarifa única de importação de 11%, enquanto o Brasil, com um complexo industrial muito mais diversificado, tem um imposto médio de 14%. O interesse do Chile foi considerado uma vitória para os diplomatas brasileiros. "É o reconhecimento de que o MERCOSUL está funcionando", disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. A partir de agora, equipes técnicas dos países envolvidos passarão a se reunir para discutir de que forma essa associação gradual acontecerá. Amorim afirmou que não há uma data prevista para que seja iniciada essa associação gradual (O ESP) (GM).