Apesar de não apresentar as possibilidades comerciais de outras regiões, a América Latina é considerada um mercado estratégico pelos EUA. O NAFTA acena para a implantação de uma área de livre comércio que se estenderia do Alaska à Terra do Fogo, na Patagônia. Os EUA programaram um reunião para Miami, ainda este ano, quando debaterão com todos os países da América Latina novas relações comerciais. Brasil, México e Argentina, entretanto, merecerão tratamento especial, incluídos entre os países de maior potencial econômico. Representante comercial da Casa Branca, Mickey Kantor, afirmou que, no ano 2000 "manteremos um fluxo de comércio com a América Latina superior ao de hoje com a Europa". No último ano, as exportações dos EUA para a Europa chegaram aos US$113,6 bilhões; para a América Latina não passaram de US$368 milhões. Neste momento, muitos países latino-americanos vivem um dilema: abrir ou não o próprio mercado ao gigante comercial, correr os riscos implícitos a tal união. Em busca de vencer o desafio, ou de contornar os riscos, o Brasil apresentou há três meses a proposta de criação de uma Área de Livre Comércio Sul-Americana (Alcsa), inicialmente considerada interessante pelos demais parceiros no MERCOSUL, desde que implementada conjuntamente. Através da proposta brasileira, os países da América do Sul resolveriam previamente as próprias diferenças, definiriam áreas de influência, as quais dirigiriam a própria produção, e afinal, com a coesão necessária, poderiam bater às portas do NAFTA, cujo acesso não apresenta a facilidade alardeada pelos norte-americanos. Há ainda uma outra opção: tratados bilaterais de livre comércio com os EUA-- o Chile é o mais adiantado em tal sentido, seguido pela Argentina. Em ambos, há, entretanto, muito receio dos grandes setores da produção. Dentro da hipótese, há o tratado de livre comércio entre os EUA e Porto Rico, vigente há 90 anos (JC).