CRISE PREJUDICA DEFESA AMBIENTAL

A Semana Mundial do Meio Ambiente começou ontem, Dia Mundial do Meio Ambiente, sem boas notícias. Dois anos depois da Rio-92, a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, pouca coisa se fez de concreto para melhorar a saúde do planeta. Até hoje só há documentos: duas convenções (Clima e Biodiversidade) ratificadas pelos países signatários, uma declaração de boas intenções (Declaração do Rio) e 40 capítulos contendo promessas para mudar a Terra até o próximo século (Agenda 21). A verdade é que não há dinheiro para pagar a conta da reforma ambiental. Pouca gente contava com a reviravolta política mundial e com a baixa nos tesouros dos países ricos. Otimista em 1992, Maurice Strong, o empresário canadense que comandou a conferência do Rio, hoje não esconde a decepção. Para ele, o problema não é só econômico. Também é político. "Os problemas ambientais aumentaram, mas a disposição dos políticos diminuiu", disse. Strong acredita que alguns países da Ásia e da América Latina estão se desenvolvendo copiando o velho modelo adotado pelos EUA e pelos europeus que trouxe progresso à custa da destruição dos recursos naturais do planeta. A organização ambientalista Greenpeace concorda com ele. "Strong está certo. Muita gente acredita que a Rio-92 resultou em progressos. Há uma verdadeira mania de encontros internacionais, mas não existem ações significativas", disse Paul Honen, um dos diretores da organização. A ONU (Organização das Nações Unidas) escolheu o tema "Uma Terra, uma família" para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, já que este é o Ano Internacional da Família. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou um documento alertando que as crianças são as grandes vítimas do desequilíbrio ecológico. Segundo o Pnuma, em todo o mundo 35 mil crianças morrem por dia em consequ"ência da degradação ambiental combinada à pobraza. O Pnuma também lançará em todo o mundo uma edição especial da revista "Nosso Planeta". "Uma Terra, uma família" é o tema da publicação, que critica o excesso de propaganda verde em detrimento das ações concretas (O Globo).