CHILE VAI ADERIR AO MERCOSUL

O Chile irá aderir ao MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), que já reúne Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A decisão foi anunciada ontem, em Belém (PA), pelos ministros das Relações Exteriores do Chile, Carlos Figueroa, e do Brasil, Celso Amorim. De acordo com os chanceleres, no máximo em 20 dias, o Chile apresentará uma proposta formal ao secretário pro tempore do MERCOSUL, Guido di Tela, ministro das Relações Exteriores da Argentina. Figueroa relatou que a opção de seu país foi tomada após o convite feito pelo presidente Itamar Franco durante visita a Santiago, em dezembro do ano passado. Na ocasião, o presidente revelou ao seu colega Eduardo Frei a intenção de criar uma zona de livre comércio para toda a América Latina. O chanceler chileno contou que, até a proposta brasileira, o MERCOSUL se apresentava ao seu país como uma instituição fechada, mas o convite de Itamar mostrou que a direção do mercado é de abertura para outros países. Figueroa destacou também a importância política e econômica do novo mercado, que entrará em vigor em 1o. de janeiro de 1995. Segundo ele, o Brasil é o terceiro e a Argentina o quarto maior parceiro comercial do Chile. Com economia concentrada na exportação de produtos básicos e no mercado financeiro, o Chile tem atualmente 30% das suas relações comerciais concentradas em países do MERCOSUL. De acordo com Celso Amorim, os entraves para a associação do Chile estavam nas tarifas de importação cobradas por Brasil e Argentina. Na avaliação do ministro brasileiro, essas taxas eram muito altas, mas foram reduzidas e estão, em média, em 15%. Amorim acredita que o ingresso do Chile no MERCOSUL poderá beneficiar também o Brasil: "Pode significar uma porta do Brasil para o Pacífico", disse. A proposta do Chile não deverá atrasar a implantação do MERCOSUL, porque o governo chileno deverá apresentar em conjunto um programa de adequação às decisões já tomadas pelos sócios do mercado comum. Os estudos técnicos de equalização de tarifas e comércio devem começar em julho. A decisão chilena foi facilitada, segundo Figueroa, pelos enormes progressos conseguidos no âmbito do MERCOSUL, como a equalização de tarifas alfandegárias e políticas macroeconômicas. Com a entrada do Chile, o MERCOSUL ganha um mercado consumidor de 13 milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$40 bilhões. O país exportou ano passado US$10,2 bilhões em mercadorias, enquanto importou US$9,8 bilhões (JB) (O Globo).