O Brasil está entre os países das Américas que mais perde vidas sadias, indicador que é calculado tomando-se por base a diferença entre a idade em que realmente ocorreu o óbito e a expectativa de vida nessa mesma idade. Em 1990, por exemplo, o Brasil registrava 26 anos perdidos por cada mil habitante, dados que podem ser comparados com 17 anos no México, 12 na Argentina, 15 no Uruguai e 13 no Chile. De acordo com a análise do pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ib Teixeira, essas estatísticas divulgadas no relatório do Banco Mundial (BIRD) intitulado Investindo em Saúde, 1993, são resultado da abrupta queda no investimento em saúde no Brasil. Em 1980, o país gastava cerca de 32% do total em saúde. A mesma despesa caiu para 25,5% em 1991 e um ano depois registrava o nível mais baixo desde 1985, tendo caído 16,3% em relação a 1991 e 30,5% em ralação a 1990. O pesquisador ressalva, contudo, que nas estatísticas de perda de vidas sadias no Brasil é necessário destacar as que ocorrem por homicídios dolosos, culposos, agressões traumáticas e acidentes automobilísticos que podem ser responsabilizados por até 20% das mortes das chamadas vidas sadias. Só no Estado do Rio de Janeiro, revela ele, o número de vítimas da violência, em 1992, atingiu 8.800 em relação aos 2.501 de 1981. "Hoje, o Rio tem uma taxa de mortalidade por homicídios de 71,1 por 100 mil habitantes, que se compara com os 11,1 de Nova Iorque (EUA), considerada uma das cidades mais violentas do mundo", informa (O ESP).