Pergunte-se a qualquer candidato quais os cinco objetivos prioritários de sua plataforma de governo e nenhum terá a menor dúvida em citar entre elas a intenção de promover a criação de empregos. Há quem não saiba como fará isso, há quem exagere nos números das metas que traçou e há também quem tenha idéia sobre o que é necessário fazer mas ainda não tenha feito as contas sobre quanto custará ao governo a adoção de programas de estímulo à geração de empregos. Em todo caso, é certo que a produção de novas vagas no mercado de trabalho se trata, nos papéis e nos discursos, de um objetivo comum dos candidatos à Presidência da República. Razões não faltam. Demógrafos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, prevêem para o último quInqu"ênio desta década o que chamam de uma "onda jovem": de 29 milhões a 30 milhões de brasileiros, na faixa etária de 15 a 24 anos, buscarão lugar no mercado de trabalho. Só em São Paulo serão dois milhões de jovens. Para um país que no último ano não conseguiu criar sequer 200 mil vagas, os números provocam e assustam. E desafiam. O candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, pôs o emprego como uma das cinco prioridades de sua campanha. Seu programa de governo prevê a criação de oito milhões de empregos em quatro anos, que resultariam de um conjunto de ações que vão desde a queda da inflação passando pela diminuição da carga tributária sobre os salários até o investimento em agricultura e educação. No setor agrícola, por exemplo, a meta é irrigar 1,5 milhão de hectares por ano, gerando, em quatro anos, cerca de 2,7 milhões de empregos diretos e indiretos. Orestes Quércia, candidato do PMDB, diz que o objetivo mais importante de seu governo é, sem dúvida, a geração de empregos. Mas o partido ainda não tem estabelecida ou não quer revelar qual sua meta para geração de novos postos de trabalho. Em cinco anos, 10 milhões de novos empregos. A meta do programa de governo do PPR não é considerada difícil pelo candidato Esperidião Amin. "Vamos dinamizar a microempresa e incentivar o desenvolvimento do SEBRAE para que esses empregos comecem a ser gerados. Com uma política segura e uma economia equilibrada, os investimentos retornarão. Além disso, o incentivo à agricultura vai permitir que muitos empregos apareçam", afirmou. Coloco o problema do desemprego como prioridade de meu governo, ao lado da
80325 educação. É urgente ensejar trabalho para essa massa, diz o candidato do PDT, Leonel Brizola. Ele não estabelece metas, mas traça dois campos de atuação para a ampliação do mercado de trabalho: incentivo à micro e pequena empresa e criação, com participação das prefeituras, de frentes de trabalho temporário em obras públicas. O PT pretende transformar seu projeto de incremento de empregos num dos pilares do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A criação de agrovilas e cooperativas urbanas e o apoio para a proliferação de microempresas são projetos do candidato. Se eleito, Lula pretende investir US$25 bilhões em projetos que gerem novos empregos. "Temos que criar empregos em todas as áreas. Não basta reduzir a taxa de inflação se não se criar um plano de desenvolvimento econômico, com a geração de empregos e a inclusão dos pobres e dos miseráveis no mercado de consumo", diz. Seu projeto prevê a criação de um grande mercado com a inclusão de 50 milhões de pessoas no universo de consumidores. A criação de pequenas vilas agroindustriais incorporariam os agricultores sem-terra ao mercado de trabalho. Segundo ele, a mera distribuição de lotes de terra inviabiliza a reforma agrária e oferece munição ideológica para os latifundiários. Lula preconiza a criação de centros de distribuição de sementes, a montagem de grupos de assessoria técnica, a construção de armazéns e a elaboração de uma política de comércio de produtos agrícolas. Outro ponto importante do programa prevê a criação de "viveiros de empresas" (O Globo).