Pesquisadores paulistas estão denunciando o patenteamento de microorganismos descobertos no Brasil por empresas estrangeiras. Segundo os cientistas, os microorganismos estão sendo utilizados para a obtenção de substâncias importantes, principalmente para as indústrias farmacêuticas. Isso significa que se a legislação de patentes for aprovada, o Brasil terá que pagar para utilizar espécies de fungos, bactérias e protozoários nativas. Além disso, o país não se beneficiará com a Convenção de Biodiversidade, segundo a qual os países ricos em espécies de plantas, animais e microorganismos receberão um pagamento pela utilização de seus recursos naturais por outras nações. O Brasil é considerado o país mais rico do mundo em biodiversidade. Estamos sendo usurpados de nossas matrizes biológicas. A concessão de
80324 patentes nesses casos significa dar o monopólio de coisas que fazem parte
80324 da biodiversidade não só do Brasil, mas do planeta, afirma a farmacêutica Sara Kanter, integrante do Fórum pela Liberdade do Uso do Conhecimento, grupo que reúne cerca de 300 entidades da sociedade civil contrárias ao reconhecimento, pelo Brasil, de patentes de microorganismos ou substâncias deles obtidas. Entre os laboratórios estrangeiros citados pelos pesquisadores, estão os norte-americanos Warner-Lambert/Parke Davis e Dow Chemical. As empresas, no entanto, negaram a denúncia (O Globo).