Uma pesquisa revela o que muitos moradores do Rio de Janeiro (capital) já suspeitavam: vem aumentando, de forma expressiva, o número de indigentes nas ruas da cidade. A grande novidade é que os novos contingentes de miseráveis são formados, em sua quase totalidade, por pessoas fisicamente saudáveis, com idade entre 16 e 23 anos. A pesquisa foi feita pelo engenheiro Antônio Carlos Siqueira entre as dezenas de mendigos que se enfileiram diariamente à porta de seu restaurante, o Mandrake, em Botafogo, zona sul, em busca de restos de comida. A maioria dos entrevistados, mostrou o levantamento, virou mendigo há menos de dois anos e quase todos dizem que foram jogados na rua por causa do desemprego. "Estes novos desabrigados têm roupas melhores e apresentam menor índice de alcoolismo que os antigos mendigos. Alguns são bem articulados e discutem assuntos como o Plano Real", revela Siqueira. Os antigos mendigos confirmaram o crescimento da população de desabrigados, ao reclamar do grande aumento da concorrência nas ruas. Um dado chocante da pesquisa: não há solidariedade entre os miseráveis. O maior problema que enfrentam além da fome, apontaram os mendigos, é a dificuldade de possuir alguma coisa. Sem ter onde guardar as escassas posses, eles roubam uns aos outros (JB).