REDE DE COMPUTADORES LIGARÁ TRIBOS DE SETE PAÍSES

A imagem do índio dissociado do progresso e da tecnologia de ponta pode estar chegando ao fim. Líderes e caciques de tribos de sete países decidiram durante o 2o. Encontro Internacional das Primeiras Nações Indígenas das Américas, realizado na Aldeia Poianaua, distante 68 km de Cruzeiro do Sul, no Acre, criar uma rede de comunicação computadorizada para interligar tribos brasileiras a aldeias do Equador, México, Peru, Colômbia, Guatemala e Canadá. O projeto deverá ser financiado pela entidade canadense Centro de Investigação do Desenvolvimento Internacional (Cidi) e deverá estar sendo colocado em prática nos próximos quatro meses. No Brasil, os equipamentos ficarão sob a responsabilidade do Movimento dos Povos Indígenas do Vale do Juruá, que representa nove mil índios e nove nações diferentes que vivem espalhados pelo Acre. As primeiras discussões sobre a necessidade de integrar várias comunidades por meio de um sistema informatizado começaram em novembro último, na aldeia dos índios Kitigan Zibi Anishinabeg, em Quebec, no Canadá, durante a primeira reunião do grupo. Com menos problemas e mais estrutura que os índios da Guatemala, Brasil e Peru, por exemplo, eles ficaram responsáveis por conseguir patrocínio para o projeto. "Não podemos ainda falar sobre quanto é necessário para a compra de computadores e equipamentos especiais de transmissão de dados, pois a verba ainda não foi aprovada", comenta Rene Tenasco, membro dos Anishinabeg. Pelo sistema a ser montado, as aldeias integradas poderão passar boletins sobre suas dificuldades, além de denúncias sobre ameaças de violações dos direitos humanos. Pelo computador, poderão fechar projetos e pesquisas de incentivos com órgãos de outros países. O Departamento Jurídico da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) se manifestou favorável à execução do sistema informatizado. Em cada país, uma entidade ficará responsável por comandar os equipamentos e manter contatos com as outras nações. Para isso, serão criados cursos para transformar índios em pessoas em condições de compreender a linguagem do computador. Representantes do Cidi estão interessados em saber, com detalhes, a estrutura de cada entidade que ficará responsável pelo gerenciamento das informações e equipamentos. Após esse levantamento, será feita a compra e distribuição dos equipamentos. "Não podemos mais ficar reclamando dos problemas", comenta o índio Biraci Brasil, responsável pelo contato com as tribos de outros países para a realização do encontro. "Precisamos trabalhar com questões práticas e sem depender da estrutura governamental para agir", diz. "Chegou o momento de ampliar nossos conhecimentos, procurar alternativas próprias de desenvolvimento, mas sem abandonar os nossos conceitos", afirmou (O ESP).