MST REVÊ METAS PARA ESTE ANO

A direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) anunciou que não triplicará o número de ocupações em todo o país ao longo deste ano, conforme foi divulgado em abril. Se a meta inicial para 1994 fosse cumprida, o número de ocupações deveria atingir algo em torno de 150. Em ano eleitoral, nossa ação fica muito difícil, disse um dos líderes do movimento, Gilmar Moura. "Os políticos estão saindo dos seus cargos, acabamos não tendo com quem negociar e, assim, um fica empurrando para o outro o problema. De acordo com outro coordenador nacional dos sem-terra, João Pedro Stedile, a mudança dos planos não representa uma concessão à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. "A coisa é mais complicada mesmo", disse. "Não temos como agir nessas épocas". Segundo Stedile, o MST organizou em quase 10 anos de existência 1.200 assentamentos em 20 estados. Nesses locais, 135 mil famílias foram instaladas em áreas equivalente a seis milhões de hectares. Do total de assentamentos, cerca de 600 glebas foram ocupadas. O restante é resultado de ações paralelas com os governos estaduais e federal. O MST mantém, ainda, 50 acampamentos com 14 mil famílias. Nesses locais, os terrenos não foram desapropriados ou o número de pessoas supera a capacidade de ocupação. Há ainda mais 100 pontos provisórios, reunindo cinco mil famílias. Soma: 154 mil famílias vinculadas ao MST (O ESP).