O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) quer explicações do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), almirante Mário César Flores, sobre o relatório que apontou adestramento de militantes do MST em técnicas de guerrilha. De acordo com um dos integrantes da coordenação nacional dos sem-terra, João Pedro Stedile, o movimento solicitou audiência com Flores. "Chamaremos a atenção do ministro para a falta de responsabilidade desse tipo de divulgação", completou. Segundo ele, o MST consultará ainda a Procuradoria Geral da República. Nesse caso, o objetivo é estudar um eventual processo de crime de responsabilidade contra o ministro. Os representantes do MST reforçaram, ontem, a tese da articulação de uma campanha contra o candidato do PT à sucessão presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva, apoiado pelos sem-terra. "Acreditamos em uma guerra psicológica contra o Lula", comentou Stedile. "Se não fosse isso e, como diz o relatório, o governo deveria ter tentado coibir e não ficar divulgando todo esse material só agora". Ontem, a contestação do relatório da SAE recebeu a adesão da Comissão Pastoral da Terra (CPT), aliada do movimento. O deputado federal Maurílio Ferreira Lima (PSDB-PE) também afirmou ontem que a divulgação do relatório da SAE, sobre a existência de centros de treinamento de guerrilha dos sem-terra é Irresponsável" e tem como objetivo criar um clima de tumulto nas vésperas da eleição. O deputado frisou que as informações sobre o funcionamento de um desses centros na Fazenda dos Trabalhadores, em Ipojuca (PE), foi comprovada pela imprensa como "totalmente infundada". Por isso, pediu uma audiência com o presidente Itamar Franco, para que ele impeça que ações desse tipo voltem a ocorrer, porque "não se pode admitir que a opinião pública seja enganada com esse tipo de relatório" (O ESP).