BANCOS TERÃO GANHOS SEM INFLAÇÃO

Ao contrário do que o sistema financeiro apregoa, mesmo com a chegada do real, os bancos manterão a sua rentabilidade alta caso a inflação caia. Estudos da empresa de consultoria Price Waterhouse mostram que as instituições financeiras compensarão a perda com a queda do "floating" (ganhos com a aplicação de recursos não remunerados, como depósitos à vista e recolhimento de tributos) com a ampliação do volume de operações de crédito, de cartões de crédito e de serviços. A rentabilidade dos bancos no ano passado foi de 12,3%, contra 8,9% em 1992 sobre o patrimônio líquido. "A rentabilidade neste ano e em 1995 deverá ficar mais alta do que a do sistema financeiro de outros países. Ela poderá chegar a 14% sobre o patrimônio líquido, superando a média histórica dos EUA, entre 7% e 8%", afirmou José Lucas de Melo, sócio da Price. Trabalho realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE), subseção do Sindicato dos Bancários, indica que os bancos já estão se preparando para encontrar em outras fontes a sua rentabilidade. No ano passado, por exemplo, houve um aumento expressivo nas receitas dos bancos com a cobrança de tarifas sobre serviços. Em 1993, os nove maiores bancos-- donos, no ano passado, de um lucro de US$1 bilhão (do total de US$2,9 bilhões)-- tiveram ganhos com a cobrança de tarifas de US$1,25 bilhão, contra US$1 bilhão no ano anterior, um acréscimo de 25%. Já as operações de crédito cresceram ainda mais, passando de US$7,9 bilhões para US$13,8 bilhões (alta de 44,7%). Os bancos terão que voltar às origens e financiar o setor produtivo para sobreviver após a queda da inflação. Fôlego para isso não falta. Segundo um levantamento do consultor Stphen Charles Kanitz, em dezembro de 1993 os 50 maiores bancos do país contavam com um volume de empréstimos da ordem de US$96,2 bilhões. Sem ferir as regras de liquidez do Banco Central, esses bancos poderiam elevar esse volume para US$263,8 bilhões (O Globo).