Relatórios confidenciais da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) revelam que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), que ocupam propriedades no interior do país, estaria adestrando militantes com técnicas de guerrilha para garantir o controle das áreas ocupadas. Segundo a SAE, os sem-terra possuem centros de treinamento para formação político-ideológica e os treinamentos são feitos com ajuda de alemães, chilenos, nicaraguenses, cubanos e soviéticos. Ainda de acordo com os relatórios, o planejamento de ações prevê a fabricação de armas caseiras. O MST, segundo a SAE, se liga a organizações de camponeses da América Latina e Caribe. A chefia de gabinete do deputado federal Pedro Tonelli (PT-PR), um dos fundadores do MST, anunciou ontem que entrará na próxima semana com uma interpelação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra o ministro- chefe da SAE, almirante Mário César Flores. O objetivo da medida é fazer com que a SAE divulgue "dados" e "provas" em vez de "acusações". Caso as provas não sejam apresentadas, a assessoria do parlamentar deve ainda entrar com representação na Procuradoria Geral da República por crime de responsabilidade contra Flores. Os documentos da SAE apontam a criação de centros de treinamento pelos sem-terra: a Fazenda dos Trabalhadores, em Ipojuca (PE)-- para treinamento de guerrilhas--, e a região do Bico do Papagaio (PA, MA e TO)-- futuras bases guerrilheiras. Segundo a SAE, 122 ocupações foram registradas no país desde janeiro deste ano. Em 1993 foram 202 ocupações (O ESP).