BRASIL É O 63o. NO RANKING SOCIAL DA ONU

A diferença nas condições de vida entre ricos e pobres no Brasil é a segunda maior do mundo, de acordo com o relatório de Desenvolvimento Humano de 1994, publicação anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) que será divulgado oficialmente hoje, em Genebra (Suíça). Os 20% mais ricos da população brasileira têm uma renda 32 vezes maior que os 20% mais pobres. Apenas Botswana tem uma disparidade maior. As diferenças entre o Nordeste e os estados do Sul do Brasil também são gigantescas: maiores que as existentes entre a explosiva região de Chiapas e o resto do México. No ranking mundial de desenvolvimento humano, o Brasil ocupa o 63o. lugar entre 173 países. O Canadá ficou com o primeiro lugar este ano e a Guiné, com o último. Barbados está em primeiro lugar (20o. no ranking mundial) entre os países em desenvolvimento. A colocação do Brasil no ranking melhorou em relação ao ano passado, quando estava em 70o. lugar, mas a distribuição de renda piorou. Em 1993, segundo a ONU, os ricos ganhavam 26 vezes mais que os pobres. O relatório do Pnud aponta o Nordeste como uma "área de risco". Os habitantes da região têm piores condições de vida que os do Sul e Sudeste em todos os sentidos: morrem 17 anos antes, têm um índice de alfabetização 33% menor e ganham 40% menos. O mundo gasta mais com a segurança de suas fronteiras do que com a da sua população, diz o relatório da ONU. Segundo o documento, os países gastam milhões de dólares em armamentos para defender seus territórios, enquanto a segurança pessoal, ou humana como chama a ONU, se deteriora dentro de suas fronteiras, causando crises como a da Somália. "A insegurança humana é um problema universal. Os países pobres estão mais preocupados com a fome e as doenças e os ricos, com as drogas e a deliqu"ência", afirma o relatório. O informe indica que a probabilidade de um cidadão de um país em desenvolvimento morrer de fome ou de uma doença que poderia ter sido evitada é 33 vezes superior à de morrer numa guerra. Apesar disso, as nações pobres têm em média 19 soldados para cada médico. Depois do fim da guerra fria, os gastos militares anuais no mundo foram reduzidos em 3,6%, mas o dinheiro economizado-- US$935 bilhões--, que o relatório da ONU define como dividendo de paz, não foi aplicado em programas de desenvolvimento social ou na segurança da população (O Globo).