MULHERES USAM MÉTODOS DE RISCO PARA ABORTAR

Injeção e ingestão de produtos hormonais ou substâncias tóxicas, inserção de galhos, varetas ou pedaços de arame no últero e até violentos golpes voluntários no ventre são os métodos de indução do aborto usados por 73% das mulheres latino-americanas da área rural que desejam interromper a gestação. Desse total, um pouco mais da metade (54%) é hospitalizada por complicações pós-parto. Os dados estão na pesquisa Aborto Clandestino: Uma Realidade Latino- Americana, realizado pelo Alan Guttmacher Institute (AGI)-- órgão norte- americano privado, especializado em pesquisas sobre mulher--, em seis países da América Latina-- Brasil, Colômbia, Chile, México, Peru e República Dominicana. Segundo o relatório, lançado ontem pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), quatro milhões de abortos clandestinos são realizados anualmente na América Latina. Apenas 5% das mulheres das áreas rurais latino-americanas recorrem ou têm acesso a um médico para abortar. Parteiras ou enfermeiras são procuradas por cerca de um quarto dessas mulheres, mas a grande maioria (73%) recorre a curiosas não treinadas ou fazem o próprio aborto, lançando mão de métodos de alto risco. A situação das mulheres pobres que moram em áreas urbanas também não é das melhores. Só 19% têm acesso a médico. O quadro se inverte entre as mulheres de renda superior na área urbana: 80% delas recorrem a médicos ou clínicas clandestinas, enquanto 10% fazem o próprio aborto ou pedem ajuda a curiosas. No Brasil, um dos métodos mais utilizados para a indução do aborto, inclusive entre mulheres de classe média, é a ingestão ou aplicação vaginal da droga Cytotec. Originalmente aplicada no tratamento de úlceras gástricas e duodenais, o remédio provoca a contração dos músculos uterinos, induzindo o sangramento (O ESP).