Pelo menos 1,5 milhão de abortos clandestinos são realizados anualmente no Brasil. De acordo com essa estimativa, 31% das brasileiras grávidas abortam e 29% desse total têm problemas de saúde causados pela interrupção da gestação. Em toda a América Latina, o número só é superado no Chile, onde 35% das gestantes provocam aborto. Os dados se encontram no relatório Aborto Clandestino: Uma Realidade Latino-Americana, preparado pelo Alan Guttmacher Institute (AGI), dos EUA, que sugere a legalização do aborto como solução para o problema. O relatório será apresentado hoje pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). De acordo com o texto final do relatório, as mulheres latino-americanas estão tendo menos filhos do que suas mães. O número médio de filhos caiu de seis, nos anos 60, para três, no início da década de 90. A pesquisa conclui, entratanto, que os serviços de planejamento familiar e o acesso das mulheres a esses serviços são inadequados. Segundo dados levantados pelo AGI, aproximadamente 16 milhões de mulheres latino- americanas estão deficientemente protegidas ou não estão protegidas contra uma gravidez não desejada. No Brasil, 54% das gestações são indesejadas, apesar de 44% das mulheres praticarem o planejamento familiar. Se as mulheres latino-americanas não fossem obrigadas à dolorosa opção
80237 entre o aborto de risco e o nascimento indesejado, haveria melhoria da
80237 saúde e maior igualdade social, diz o relatório. De acordo com o documento, nos EUA, onde o aborto é legal na maioria dos estados, a porcentagem de mulheres vítimas de complicações decorrentes de aborto é inferior a 1% (O ESP).