A AIDS NOS PRESÍDIOS DO RIO DE JANEIRO

O vírus da AIDS está abrindo a porta da cadeia e aumentando a quantidade de soropositivos em todo o Estado do Rio de Janeiro, de acordo com o Núcleo de Orientação em Saúde Social (Noss), uma organização não- governamental que trabalha com grupos sociais de altos índices de promiscuidade, como presidiários e prostitutas. O HIV é transmitido, muitas vezes, pelas companheiras dos 10 mil detentos que cumprem pena nos presídios do estado-- as esposas e amantes que, uma vez por semana, são recebidas por eles nos parlatórios, para manter relações sexuais, e de volta às ruas nem sempre lhes são fiéis. O aumento dos casos da doença nos presídios foi agravado nos últimos cinco anos, devido à falta de uma política de saúde no sistema penitenciário e à carência de instalações e recursos humanos. Já em 1988, a Coordenação de Saúde do Desipe, preocupada com o crescimento alarmante da doença, submeteu quatro mil presos (metade da população encarcerada da época) a dois testes para detecção do HIV e descobriu que 11% estavam contaminados. Hoje, o Desipe acredita que o percentual tenha dobrado, atingindo 20% dos presos. Casos já comprovados chegam a 1.300 (O Globo).