Os trabalhadores chegarão à era do real com uma perda salarial média de 30%. Mais grave ainda é que, a exemplo de outros planos econômicos, correm o risco de não terem repostos até 25 dias de inflação, que vão desaparecer na passagem da URV (Unidade Real de Valor) para a nova moeda. Confirmada a projeção inflacionária ao redor de 46% em junho, a não- incorporação daquele período significaria uma perda adicional de até 38% nos salarios. As conclusões são de um estudo elaborado pelo economista Eduardo Scaletsky, professor de macroeconomia e coordenador do convênio DIEESE-UFRRJ (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio- Econômicos-Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro). Segundo ele, a contabilidade do prejuízo começou com a conversão dos salários para URV pela média em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, "meses de elevados reajustes preventivos de preços e aceleração inflacionária, que a política salarial de então não permitia que fossem integralmente compensados". É por essa razão que, numa avaliação da lei que criou a URV, Scaletsky considerou inócuo o parágrafo 3o. do artigo 27, que trata da reposição das perdas. Isto porque, argumenta o economista, ao admitir que os trabalhadores reivindiquem o pagamento de eventuais perdas em suas respectivas datas-bases, toma como parâmetro para comparação a política salarial anterior, "que já era danosa aos assalariados". Na opinião de Scaletsky, o ideal seria o pagamento do salário contratual, isto é, sem a corrosão causada pela inflação até a data do efetivo recebimento. Para Scaletsky, porém, o mais grave virá na virada da URV para o real, no dia 1o. de julho, quando poderão ser subtraídos até 25 dias do cálculo da inflação (JB).