ÍNDIOS SE CANDIDATAM A DEPUTADO FEDERAL

Doze anos após a eleição de Mário Juruna, o país pode ter de novo um ou mais representantes de tribos indígenas no Congresso Nacional. Pelo menos quatro índios que falam português misturado com tupi-guarani vão se candidatar à Câmara dos Deputados em três de outubro, todos concorrendo por partidos de esquerda. Os quatros têm uma bandeira comum: garantir a demarcação das 520 áreas indígenas identificadas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) no país, algo em torno de 900 mil quilômetros, o equivalente a 10% do território nacional. O mais radical é Pedro Mendes Ticuna: filiado ao PC do B, ele é capaz de citar feitos do socialismo na Albânia, e pretende chegar ao Congresso pelo voto dos 20 mil ticunas da região do Alto Solimões, no Amazonas. Os outros três disputarão as eleições sob a legenda do PT, entre eles o conhecido Marcos Terena, piloto da FUNAI que concorreu, sem sucesso, às eleições de 1990. A opção dos índios por partidos de esquerda reflete a influência política dos padres católicos na Amazônia: em quase todas as aldeias indígenas Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou de Fernando Collor de Mello (PRN) nos dois turnos das eleições de 1989 (JB).