Mais de 350 lideranças populares lançaram ontem a 2a. Carta de São Paulo, documento com propostas para questões urbanas, da cidadania e da democracia no Estado de São Paulo. Após três meses de reuniões coordenadas pelo Sindicato dos Engenheiros do estado, as lideranças chegaram à conclusão de que a habitação é hoje a principal prioridade de São Paulo. Em razão do reconhecimento da incapacidade histórica do poder público de atender a esta e a outras demandas, o documento propõe que as verbas públicas sejam administradas pela comunidade, em cooperativas habitacionais, multiplicando dessa forma a capacidade de atendimento. De acordo com o documento, é necessária a construção, em caráter emergencial, de 450 mil moradias na Grande São Paulo e 300 mil moradias no interior. O documento propõe que o poder público ofereça linhas especiais de crédito para compra de terrenos e material de construção, e a revisão de leis de parcelamento do solo e zoneamento. A segunda prioridade estabelecida pelo documento é o emprego. As lideranças do movimento defendem uma mudança "radical" nas políticas econômica, tributária, monetária e fiscal. Alegam que esta mudança só poderá ser colocada em prática com a participação efetiva e intensa de toda a população (O ESP).