ANÃO FAZ EMENDAS AO ORÇAMENTO

Os funcionários da Comissão Mista de Orçamento livraram-se do assédio dos lobistas de empreiteiras, mas alguns "anões" sobreviveram à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e prometem inovar no seu mode de atuação. Ontem, último dia para a apresentação de emendas ao Orçamento Geral da União de 1994, o senador Ronaldo Aragão (PMDB-RO), entregou suas 25 propostas de remanejamento de verba, embora na véspera tenha confessado receber recursos das construtoras para garantir o redirecionamento do dinheiro para as obras de interesse dessas empresas. Também o deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE), recentemente inocentado das acusações de manipulação do Orçamento, apresentou emendas para utilizar a totalidade de sua quota de 25 sugestões para remanejar verbas orçamentárias. As modificações para a entrega de emendas revelou uma nova classe de parlamentar: os "anões" em potencial, que ontem tentavam convencer parlamentares que não pretendiam apresentar emendas ou que usariam apenas parte da quota de 25, a cederem parte delas para aqueles que já haviam esgotado o número permitido pelas regras de tramitação do projeto orçamentário. "São os anões de fraldas", ironiza o deputado José Genoíno (PT-SP), que não utilizou sua quota. O ex-deputado João Alves, apontado como o "anão-mor" da quadrilha do Orçamento, vai ser despejado do apartamento funcional que ocupa irregularmente, em Brasília (DF), desde que renunciou ao mandato para evitar seu julgamento. A Câmara vai enviar à Procuradoria-Geral da República um pedido de reintegração de posse do imóvel. Os ex-deputados Nobel Moura e Carlos Benevides, ambos cassados, também continuam ocupando apartamentos funcionais irregularmente (JB).