RELATÓRIO DA ONU ALERTA PARA RISCOS DE CONFLITOS CIVIS

Em seu relatório de Desenvolvimento Humano, a ser divulgado no próximo dia 1o., as Nações Unidas alertam para os riscos de conflitos civis em áreas de grandes disparidades de renda, como é o caso do Nordeste brasileiro, África do Sul e Nigéria. Para a ONU, a experiência de Chiapas, no México, dá uma resposta "angustiante" a essa questão. O documento destaca, ao discorrer sobre o Brasil, que ocupa o 63o. lugar no ranking do índice de desenvolvimento humano (HDI), que "os indicadores sócio-econômicos do Nordeste do Brasil mostram um potencial para o surgimento do problema e, no mundo, só são comparáveis a Botswana". O índice de desenvolvimento humano vem sendo apurado há cinco anos, pela ONU, e nele são pesquisados o comportamento de indicadores sócio- econômicos e políticos dos países. Neste ano, o Canadá foi classificado como o primeiro na lista do HDI, de 173 países, seguido pela Suíça, Japão, Suécia, Noruega, França, Austrália, EUA, Holanda e Reino Unido. A Guiné ficou em último lugar. A Argentina obteve uma das melhores classificações entre os países da América do Sul, ficando em 37o. lugar, só superada pelo Uruguai (33o.). O Brasil é apontado, no relatório, como um país onde a desigualdade entre ricos e pobres é uma das maiores do mundo. Segundo a ONU, se fosse levadas em conta apenas as regiões Sul e Sudeste do Brasil, sua classificação no "ranking" do HDI seria o 42o. lugar. Mas, se figurasse só o Nordeste, o país ficaria em 111o. lugar. Segundo o estudo, os 20% da população brasileira que têm melhores condições de vida desfrutam uma situação 32 vezes melhor do que os 20% mais pobres. Os habitantes do Nordeste são apontados pela ONU como tendo as piores condições de vida no país, em todos os aspectos: expectativa de vida menor de 17 anos (75 anos no Sul/Sudeste e 58 anos no Nordeste), porcentagem de analfabetismo 33% maior e renda 40% menor. A ONU ressalta que a África do Sul inicia a era pós-apartheid com números que mostram dois universos inteiramente diferentes, que são os dos brancos e dos negros. Ao avaliar o relatório 1994, a ONU assegura ter havido algum progresso no mundo, após a divulgação dessa pesquisa. Entretanto, apontou a existência de muitos "bolsões" de miséria no planeta. Em 1960, 73% da população mundial figurava entre os de "baixo" desenvolvimento humano. Em 1990, esse percentual caiu para 35% (GM).